sábado, 25 de setembro de 2010

DRÁCULA 2010 - AS ULTIMAS CONSIDERAÇÕES


"O que os outros pensarão não tem a menor importância. Não precisamos  provar nada e nem pedi que alguém acredite em nós."
(Van Helsing, em Drácula)

Este é o fim de DRACULA, ao menos dentro da proposta surgida no inicio deste ano. Nos últimos meses o espetáculo agonizou. Após a estréia, cometemos erros atrás de erros, o que muito comprometeu a vida da peça. O bom disso é que não erraremos novamente – não os mesmos erros.



O erro fatal foi ir para o centro – especificando: ir para o Centro Universitário de Cultura e Arte, o CUCA – e abandonar a idéia inicial, que era realizar as apresentações em São Miguel. Se tivéssemos permanecido em São Miguel, o espetáculo teria sido apresentado dentro do seu cronograma inicial e sua continuação seria possível, ainda com o elenco original do processo artístico.



O outro erro foi insistir em ficar no CUCA mesmo quando o espaço não ofereceu as condições ideais. As pessoas do elenco se mantiveram fiéis enquanto foi possível, acreditando que tudo daria certo mais cedo ou mais tarde. Não deu certo. As pessoas desanimaram. E nós também. Aliás, se não tivéssemos desistido de apresentar lá, eles iriam até o final, por pior que fosse as condições. Era um elenco muito bom, talentoso, pessoas que dificilmente se encontrarão novamente numa jornada como esta. Ali surgiram amizades e inimizades magníficas, ciúmes e parcerias que ainda vão render boas gargalhadas no futuro, na mesa de bar ou na sala de visitas de alguém. Lembrando dos acontecimentos, sinto saudades de todos. Boas lembranças, enfim. Até as ruins.



Voltando ao erro CUCA. Teve coisas muito incomodas, como grupos utilizando o espaço em horários que seriam nossos, cobranças de nossa presença e indiretas infantis para que as garotas limpassem o espaço sem que tivessem obrigação de fazer isto. Uma frase dita (“Este espaço não passa qualquer coisa: o pessoal do PSDB não pode apresentar uma peça aqui, por exemplo”) me comprovou que a democracia não é e jamais será vermelha. O pior de tudo foi buscar nossos pertences e perceber que itens faltavam – um carrinho de mala da Thays e um cabideiro de madeira do AD que estava no grupo desde 1998. Mandei um e mail para eles dizendo que os pertences haviam ficado e quando poderíamos buscá-los. Não houve resposta.



Mas também fomos uma decepção para o

CUCA. Eles esperavam um grupo de teatro com consciência política esquerdista, e não pessoas que se preocupam mais com estética artística do que com pregar opiniões sobre este ou aquele fato, leitores de Marx e Engels que procuram um bom salário pra pregar verdades partidárias. Desculpem, não somos assim.



Foi uma época muito ruim pra mim. Sem grana, perdi coisas e pessoas de valor. financeiro e sentimental em estilhaços ao final de tudo. As intrigas pessoais também nos desgastaram muito. Realizar atividades artísticas com pessoas imaturas ou até mesmo doentias foi foda. Mas não as culpo. Não culpo ninguém. Talvez inexperiência e apostas erradas. Mas não há mágoas pessoais. Há apenas o desejo de realizar Drácula no futuro, com a estrutura e o respeito que o espetáculo merece.



No mais, tenho a felicidade de ter em nosso grupo Michelle Dias e Alexandre D’Lou, duas mentes que muito admiro. Os outros saíram. Alguns dando shows desnecessários. Outros, sumindo simplesmente. Alguns nem disseram se estão conosco ou não, mantém um silêncio constrangedor. Apesar dos pesares, ao menos um “adeus” seria algo digno.



Há muitos fatos a serem registrados, mas vou fazer como Luis Bruñel: quando completar uns 80 anos, escrevo um livro de memórias e conto tudo com mais detalhes. No momento, o lado pessoal de tudo isto não importa. No fim, Drácula parou apenas porque conseguimos um espaço e estamos nos organizando para colocá-lo em funcionamento. Lá acontecerão cursos, oficinas, apresentações e exposições de arte. Nosso espaço em São Miguel. Pensando bem, Drácula poderia ter ficado para 2011: teria casa e estadia digna, sendo gentilmente convidado, como cabe a um vampiro. Mas tê-lo realizado em 2010 foi gratificante e enriquecedor. Por todos nós e por tudo isto.



Obrigado a todos por esta viagem. Qualquer dia a gente se encontra na estrada novamente.







terça-feira, 14 de setembro de 2010

DRÁCULA ADIADO PARA 2011

O espetáculo "Drácula" foi adiado para 2011. O Alucinógeno Dramático está se dedicando ao planejamento do futuro Espaço Das Criações Artisticas (nome provisório) , que tem o inicio de suas atividades previsto  para janeiro de 2011.

Ainda este  ano, Além da programação das atividades, cursos e exposições, o grupo também realizará o processo artistico e seleção de elenco para o curta metragem de Alexandre D'Lou (Vôo livre) e Claudemir Santos estreiará o espetáculo solo "Melissa Hamlet" em Outubro.

Após a inauguração do espaço e inicio das atividades,  Drácula voltará  dentro da programação teatral.

O Grupo continua se encontrando esporadicamente para estudo e preparação artisticas dos remanescentes de "Drácula" que agora fazem  parte do grupo.

(BREVE: Reflexões sobre os mortos, uma ultima consideração sobre Drácula)

terça-feira, 24 de agosto de 2010

O ESPAÇO DAS CRIAÇÕES ARTISTICAS DE SÃO MIGUEL


Tá parecendo nome de escola de samba.
Acho que só O ESPAÇO DAS CRIAÇÕES ARTISTICAS fica melhor.
Taxativo, mas melhor.
O fato é  que Drácula estreiará o espaço artistico do Alucinógeno Dramático. Os detalhes estão sendo acertados e a faxina tá pra acontecer neste fim de semana.
As chaves estão em minhas mãos, com a torre Eiffel enfeitando o chaveiro de metal. Tudo muito forte, tudo muito certo, e uma responsabilidade ainda maior.
"Com grandes poderes vem grandes responsabilidades", não é a frase de Stan Lee pela boca do tio do Homem Aranha? É assim que eu me sinto.
Um passo que esperamos há muito tempo mas que sabíamos não ser possível assim, como que por milagre. Mas eis que, depois de um sábado transtornado, com gafes, troca de elenco e sem dinheiro pra mais cerveja, o milagre acontece. Dá medo. Ainda bem que vocês estão nesta comigo. Estou cercado de pessoas que, se estão aqui até agora, é porque acreditam no Alucinógeno Dramático,  que  não é mais apenas um grupo de teatro, e sim um grupo de criações artisticas, com fotografos, cinegrafistas, músicos, figurinistas, pedagogos, publicitários, artistas visuais, escritores e, por que não?, atores, atrizes, dramaturgos, diretores e estudantes de artes cênicas, visuais, musicais, literárias e cinematográficas.
Um espaço.
Muita responsabilidade.
Mas a vida é assim: tem coisas que não se pede; se conquista: amor, amizade, confiança, responsabilidade.

Para os que acreditaram e para os que não acreditaram: conseguimos mais uma vez!

domingo, 22 de agosto de 2010

PRISCILLA ALBARELLO SERÁ JONATHAN HARKER


Com a saída de Antheia Lígia do espetáculo, Priscilla Albarello interpretará Jonathan Harker no Drácula, que reestréia em Outubro. Priscilla conheceu Claudemir Santos através do ator Cristiano Vieira e inscreveu-se para o processo artístico. Não tendo participado por razões pessoais, em julho entrou em contato com Claudemir novamente para saber das possibilidades de participar de algum espetáculo ou processo artístico do grupo. Os contatos desta vez foram mais permanentes até surgir a possibilidade de interpretar um personagem ainda em Drácula.

O espetáculo volta aos palcos em outubro, quando serão realizadas quatro ou cinco apresentações em São Miguel.

UM SÁBADO DANADO PRA CATENTE!!!

Sabe aquele dia que era melhor ter ficado em casa que você ganhava mais? Sábado foi um desses dias.




Começou cedo, no CEU Curuçá. Eu, Marcos, Anita e D’Lou no tal “Ensaiando um país melhor”. A Thays fugiu. Sortuda. Cláudio Gomes presente. Todos na cega. Também presente estavam alguns grupos da região e de outras regiões da leste. Nós, ali pela primeira vez, não sabíamos do que se tratava. Aí a mulher nos chama no palco pra fazer “sensibilização” em grupo. Todos participam. Menos eu. Eu e um senhor de camisa amarela. Ele era paraplégico. Eu apenas não tava lá pra fazer joguinho teatral. No auge da coisa, D’Lou escorrega e mete o joelho no chão, ficando esparramado no chão com Cláudio Gomes por cima. Diretor de cinema querendo ser ator dá nisso. O bichinho até machucou o joelho. Fiquei preocupado.



Depois, passaram um vídeo. Sacamos qual era a deles. Marcos querendo ir embora. Eu querendo comer porque queria ficar direto em São Miguel até a hora do ensaio.



Depois do vídeo, sentamos para conversar sobre o projeto. Mas a conversa desvirtuou para problemas de grupos amadores e projetos do governos – que as pessoas não entendem e querem fazê-lo sem conhecimento ou preparo. O sangue foi subindo. Marcos, de dois em dois minutos, dizia que queria ir embora. Meu sangue subindo. Comecei a resmungar. Anita diz que tá um pouco alto. Marcos chama pra ir embora. Resmungo mais. Resmungo palavrão até. A conversa vira uma chatice. E eu querendo saber do que se tratava o projeto.

“Vamu embora, Claudemir!”

“Só quero fazer uma pergunta, kinho!”

“Uma pergunta eu espero.”

Aí, na minha vez, um dos artistas presentes (Black) me rouba a palavra. Um que falou 45% do tempo todo. Aí, outro (Daniel do Arruacirco) rouba a palavra do outro, e assim sucessivamente. Não deu outra: baixou o exu Darkney:

“Porra, mas só vocês dois querem falar?”

“Mas é uma conversa...”

“Conversa onde só dois falam, caralho?”



O tempo fechou. Marcos já queria socar um – não sei como não levantou da cadeira.

Um dos anfitriões botou pano quente e ouviu minha pergunta:

“Qual é o objetivo de vocês com os grupos da região?”

E só então eu entendi que o projeto visa dar uma espécie de assessoria aos grupos da região para que desenvolvam melhor seus trabalhos.



Marcos, então, levantou para ir ao banheiro. Eu fui atrás para ensinar onde ficava, disse para D’lou e Anita ficarem. Mas D’Lou levantou e saímos os três. Advinha a impressão que deu?!? Todos ficaram olhando pra cara da Anita, a única integrante do grupo que ficou presente – possivelmente para delatar os acontecimentos na nossa ausência, segundo a visão alheia.



Breakfresco. Bom. Cheio de coisas gostosas. Daniel veio me perguntar da Luiz Gonzaga e de Drácula, Black me pergunta da Antheia (mal sabíamos o que isto ia gerar!) e íamos embora. Anita pegou o contato de Lethicia Marassatto (possível futura integrante?) enquanto eu conversava com um dos organizadores. Ele pediu para que eu ficasse um pouco mais, pois iriam distribuir certo material interessante. Saí pra convencer o Marcos a ficar mais quinze minutos. Anita veio logo em seguida. A impressão que todos tiveram é que tínhamos ido embora. Quando voltamos, ouvimos os cochichos não tão cochichados assim:

“Eles não foram embora, não ,eles tão aí”



Aquele clima de “quem peidou” ficou no ar.

Sentamos. Pegamos as apostilas, escutamos um pouco da conversa e levantamos para ir embora. Me despedi da anfitriã, dizendo que tínhamos ensaio e que aguardaria seu contato. Nos despedimos.

Nos bastidores, quando passamos pela mesa do café da manhã, inventei de roubar os croissants que haviam sobrado. Abri a mochila e tô enchendo dos quitutes quando a anfitriã aparece pelas cortinas da coxia:

“A gente vai entrar em contato, mandar e-mail...”

E eu, o nervosinho da reunião, cheio de pose, que nem sensibilização fez, roubando croissant. Poucas vezes na minha vida fui tão estúpido assim para cometer tal patifaria!



Mas bola pra frente. No estacionamento do D’avó, onde Marcos deixou o carro pra não pagar estacionamento, enquanto comíamos croissant roubado, falei da casa que pode ser nossa sede provisória e palco pra Drácula. Fomos visitar a casa. Legal. Idéias de cursos, workshops e a possível saída da Antheia do espetáculo discutidos no Calango’s Bar.



Lá, pensamos em uma nova nomeclatura para o grupo, uma vez que não somos apenas mais um grupo de teatro e sim um grupo que dialoga com várias facetas artísticas. Ale sugeriu “ALUCINÓGENO DRAMÁTICO CRIAÇÕES ARTISTICAS”. Eu gostei. Mas acho que ainda tá faltando alguma coisa. Por enquanto ficaremos assim.



Depois, Marcos foi ver sua pequena em casa após nos deixar na casa de Anita. Lá, mostrei a canção “A garota voadora” para D’Lou e conversamos sobre o filme, sua trilha sonora e acabamos refletindo sobre a reunião da manhã, os tipos de artistas e suas posturas diante da arte. D’Lou nos comparou com o pessoal da Semana de Arte Moderna de 22. De certa forma, disse ele, nossas atitudes artísticas se aproximam muito daquele movimento artístico. Há pouco tempo li “De Anita ao Museu”, de Paulo Mendes de Almeida. Preciso refletir sobre esta afirmação de D’lou.



As 17h estávamos em frente da oficina. Quer dizer, Marcos e a Isa Diaz chegaram primeiro. Depois eu, Anita e D’Lou. Depois, Antheia. Toda cabreira, já. Até as 17h30 havia chegado somente a Thays, e começamos nossa reunião. Antheia disse que não ia continuar conosco após setembro por causa de outro espetáculo. Entre uma e outra piada tosca, combinamos que uma pessoa estaria presente nos ensaios para apreender seu papel e que, após sua saída, ela ocuparia seu lugar. Tudo combinado, tive que repetir a reunião para Michelle e Clara que chegaram atrasadas.



Na vez da Clara fiz algumas piadinhas tolas com a Antheia sobre sua saída e um certo e-mail digitado pelo jeito por uma máquina que ela me mandou. A menina enfureceu-se, foi pra frente, tirou o roteiro da sua pasta, voltou, jogou sobre a cadeira e disse que tava fora. Não adiantou conversa, conselho de amiga, nada disso. Antheia não estaria mais entre nós, e queria entregar o roteiro.

“Leva. Ele é uma conquista sua”, eu disse.



Ela pegou e saiu. Algumas pessoas foram se despedir. Sem Harker, não dava pique pra ensaiar, uma vez que a Pamella e a Juliana também não estavam presentes.

Aí bateu paranóia. Achei que a Juliana ia pular fora também. Ela não havia entrado em contato a semana toda. Michelle chegou a sugerir que o espetáculo fosse suspenso por um tempo, caso ela saísse, mas aí a Ju chegou com todo aquele astral e aquela loucura típica de sua cabeça.

“Só saio daqui se for à força!” – disse, em certo momento.

Tive que contar tudo de novo. A Thays não aguentava mais ouvir tudo aquilo e, possivelmente, não vai ler isto nem a pau. Não havia o que fazer, ninguém tinha dinheiro pra tomar cerveja no Chicão. Então, cada um tomou seu rumo.



Agora, esperamos a negociação deste espaço e a nova atriz que interpretará Jonathan Harker. Temos a expectativa de apresentar o espetáculo entre os meses de outubro e novembro. Drácula merece. E nós também.

quinta-feira, 19 de agosto de 2010

NOTICIAS DO ALÉM TUMULO - SOBRE O RETORNO DE DRÁCULA


Não.
Não acabou.
Não paramos.
teimosos, sim.
Nas últimas semanas, estivemos planejando nossos próximos capítulos. Paralelamente, houve muito trabalho. Pamella Fersá  contando histórias na bienal do livro, D'Lou iniciando sua (segunda) faculdade de Artes Visuais e eu mergulhado no universo de Melissa Hamlet só pra citar alguns acontecimentos. Thays andou dodói por aí, mas está melhor pela ligação que me deu hoje - sempre bom ouvir a voz da menina!
No sábado, eu, Anita Abrantes e Pamella Fersá voltamos ao CUCA para tratar das novas datas e verificar como estão nossos pertences (sim: todo o material de Drácula ainda está por lá!)
Nossas coisas estão bem, obrigado, mas quanto apresentar no CUCA... Bem, Messias já não está mais por lá e as mudanças não pareceram mudanças pra mim. De qualquer forma, agora surge uma possibilidade real de apresentar numa localidade em São Miguel como era nosso plano inicial - o qual  nunca devia ter sido mudado. 
Não posso relatar muito sobre isto agora. Sábado, após o ensaio, teremos uma reunião de cúpula e uma reunião geral. Há muitas coisas para resolver. Sobretudo as tão esperadas datas de apresentação do espetáculo.
Aguardem notícias.

domingo, 25 de julho de 2010

DRACULA COMEÇA A RENASCER

24 de Julho.
Um ensaio em casa.
Um ensaio produtivo, onde cenas se redesenharam e novas quimicas artisticas surgiram entre as atrizes.
O clima é bom, os resultados são ótimos, as expectativas são as melhores.
Drácula começa a renascer, senhoras e senhores.

quinta-feira, 15 de julho de 2010

As Mulheres o que é das Mulheres!

O teatro teve inicio na grécia, com os festivais de adoração ao deus Dionísio, onde um homem se fazia Dionísio, contando eventos do próprio. Daí teve início o teatro grego, que se propagou e ganhou fama desde então, superando até as proibições iniciais do governo, e mais adiante da igreja, que o considerava uma prática pagã. Porém, o teatro continuou a ganhar força e publico, e como diz o ditado "Se não pode com eles, junte-se a eles.", a igreja passou a usar o teatro como meio de evangelização, fazendo apresentações, em sua maioria sobre os castigos e penitencias que Deus impõe no pecadores, fazendo assim a fé a base do medo. Enfim a partir daí o teatro foi ganhando liberdade, a crescer a até a ser símbolo de status de reis, pois era um luxo ter um companhia teatral exclusiva para si. Então o teatro foi mudando, porem em não era permitido que mulheres atuassem, os papéis femininos eram feito por rapazes jovens, antes de engrossar a voz, e se alguma mulher se atrevesse a subir num palco como atriz, poderia ser severamente castigada. Felizmente esses e outros problemas da história da arte foram solucionados com o tempo, até chegar aos dias de hoje.
Apesar das mulheres terem sido aceitas a muito tempo, em muitos sentidos, achei a ideia de termos um elenco só de mulheres super original, mesmo não sendo nada inédito, é algo dificil de se ver, principalmente em peças com tantos personagens masculinos. É claro que não será algo facil, afinal interpretar o sexo oposto em um drama é bem diferente de interpretar uma donzela, eu não diria mais dificil, apenas diferente. Mas contamos com um ótimo elenco, atrizes muito talentosas, até eu estou ansiosa para ver o resultado, mas tenho certeza de vamos nos superar, afinal todos temos crescido artistica e pessoalmente durante todo o processo, e sei que ainda vamos crescer muito. Pessoas não estão mais conosco, pessoas novas entram, é pura e simplesmente o acontece na vida, pra mim, ficarão saudades e novas expectativas. Bom, quando eu estava lendo o blog hoje, e lembrei que somos só mulheres, fiquei feliz , e quis compartilhar. Isso me remeteu ao teatro grego. dito o que queria me despeço de minha (por incrivel que pareça) 1° postagem. Boa sorte pra todas! E sem desmerecer o os homens, nos mulheres arrasamos!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!bjinhusss

RETORNO AOS ENSAIOS


Chove em São Paulo. Desde segunda feira.
Férias no quarto, olhando a chuva pela janela.
Tanto faz, enfim.
Hoje, 15/07, retornamos aos ensaios de Drácula. As coisas serão diferentes agora que não temos mais Grasi, André, Ingrid e Luara. Seria melhor ter terminado a temporada no Cuca e dado fim ao espetáculo? Talvez, mas agora é tarde. Agora é hora de trabalhar para as últimas três apresentações do espetáculo.

Hoje,. Isa e Clara ensaiarão as cenas de Van Helsing e Seward. A dupla que já subiu ao palco juntas várias vezes me causam uma ansiedade interessante: o que veremos? Superarão André e Grasi naquele jogo preciso e gostoso de se ver? Não sabemos, não sabemos. Mas, veremos.

Agora, preciso refazer a trilha sonora e entrar em contato com algumas pessoas que podem mudar a trajetória do espetáculo. Aliás, uma das inscritas no processo artistico ligou pra mim outro dia perguntando se não tinha como participar do espetáculo, uma vez que recomeçaríamos a montagem novamente.

As pessoas estão nos acompanhando. Às vezes em silêncio, às vezes não.

Ainda estamos aqui, e Drácula continua, até nossa última gota de sangue!

terça-feira, 13 de julho de 2010

ANIVERSÁRIO DE 15 ANOS DA THAIS


A semana inteira acertando detalhes por email com o grupo para decidir como iríamos ao aniversário de 15 anos da Thais. Como o evento seria em um sítio, estávamos nos organizando para ver quem iria de carro á noite para a festa á fantasia ou de manhã para passar o dia todo no sítio.
Confirmados á parte da manhã eu, Clara e Isa; e a noite Claudemir, Anita, Marcos e Pamela.
Após algumas tentativas de falar com a Clara, conseguimos combinar sexta 11h30 da noite na frente do Itaú de São Miguel para seguirmos rumo á casa de thais, pois de lá sairia um ônibus fretado ás 9h da manhã para nosso destino.
Frente alguns compromissos que eu tive sexta, consegui chegar de carona em São Miguel umas 00h30, ficando inviável o nosso encontro. Sendo assim combinamos 7h30 na praça do forró no dia seguinte, sábado. ( E a Clara me fazendo prometer). Cheguei 7h40 (pra variar meus atrasos). Rodei a praça e nada de achar a Clarinha, liguei pra ela, que já tinha ido com razão, e peguei o endereço da casa da Thais. Desci no ponto do hospital conforme instruções e comecei a 'passear' no bairro á procura do endereço. Subo e desço ladeira e nada, me mandam pro endereço errado (Ferreira Pinto). Pro segundo fanfarrão informante eu digo: "Não moço, a rua é PINTO CABRAL!!!"

Meus Deuses deixa quieto, vou ligar pra Thais (minha última unidade no cartão não seria em vão). Segui a Rua Itaim, e TCHANAN virei a esquerda na rua CERTA! Agora os numeros. NAO!
Os números são um pouco confusos nessa rua, cheguei numero 65, desci mais e pulou pro 35, desço mais um pouco, 70 e tantos, continuei, e enfim achei, UFA!
Clara e Isa já me esperam no recinto juntamente com Thais, sua família e alguns amigos. Todos muito atenciosos nos ofereceram café. Com isso chegam o restante do povo faltante e seguimos viagem a bordo do fretado. No caminho todos muito felizes e cantantes, momentos de descontração.

Chegamos no sítio "Recanto dos sonhos" que realmente é um sonho!!! Tinha um salão enorme para a festa, quartos, sala de jogos, piscina, parquinho, quadras e um ambiente muito prazeroso para a comemoração.
Todos nós já chegamos e nos arrumamos para aproveitar logo o dia. Todos com biquinis, cangas, samba canção ou bermudas á postos para cair na piscina. Ops, antes fosse cair na piscina, melhor dizer, serem jogadas na piscina!! Sim sim, começaram a jogar todas as meninas na piscina.! Os responsáveis? Os amigos da escola da Thais!!!! Só podia ser! E pra não ficar fora da brincadeira, a Clara provocou-os dizendo que só iria entrar se eles a fossem pegar.
Pra quê?


Fotos registram esse momento e sua excepcional queda!!!!!!! KKKKKK


Eu e Isa receiosas! Não, agora será nossa vez. Não.
Com calma, quando chegaram pérto de mim pra execução desse servicinho sujo, eu disse que eu estava mais suja e "Naqueles dias". Um pequene blefe e EURECA! Nos salvamos.

Depois fomos com a galera jogar bola. Meninos contra meninas. Nós perdendo claro, eis que consigo marcar um gol de penalti!!!!!!!!!!! EBA. Bola vai e bola vem,. nós meninas desistimos e fomos todos para a sala de jogos onde brincamos de pimbolim, tenis de mesa e sinuca.
Em seguida comemos pão com carne louca, muito bom, em cima da casinha de boneca!!!
Tiramos fotos, que aliás ficaram LINDAS! Renata Teixeira e seu amigo TuTy estavam registrando todos os momentos da festa. Renata com seu olhar romântico e descontraído e Tuty com olhar clínico e sensual. Renderam imagens maravilhosas do ambiente e das pessoas que compunham o lugar.

Após uma pequena dispersão das pessoas, alguns tocando e cantando, outros na quadra ou no parque, a tia de Thais deu permissão para a grande hora!!! A OVADA!!!
Chamamos todos na quadra onde iria se iniciar a sessão. "Vamos jogar queimada? Vamos"
Por uma pequena alteração nas primeiras sílabas, a queimada se tornou ovada. e foi ovo pra todos os lados, depois farinhada. Com 'raiva' Thais comecou a correr atras de todo mundo pra se vingar e deixar o seu rastro em quem estivesse no caminho.
A Clara, coitada, que nem teve participação no ritual e só ficou observando de longe, foi uma das vitimas de Thais que levou uma gosmada na blusa e cabelo.
Foram todas pro banheiro tomar banho.

Ufa, depois dessa euforia vieram os momentos de paz. Alguns continuaram na quadra, outros tomando banho, uma boa oportunidade para pegar uma piscininha (sem ser jogada a força). Tuty estava presente e tirou belíssimas fotos, em seguida Isa chega para se integrar no book e continuamos com nossas poses para o click. Renata tbm entra na onda e decidimos fazer as fotos das amigas!!!!!!!! Para que a Thais tirasse mais fotos, pois estava sempre fugindo das lentes dos profissionais. Conseguimos arrastar a Thais e registrar imagens lindas! Ela é muito fotogênica.



Uma pausa para o lanchinho, e em seguida um bainho bem gostoso para relaxar e começar a se trocar para a festa á fantasia.
O Salão de festas já tinha tomado vida com sua decoração exuberante.
Todos já se arrumam para o grande momento enquanto eu tiro uma pestana. Thais foi ao salão de beleza fazer cabelo e maquiagem. As Odaliscas e os sultões já prontos a espera da Cleopatra.


Quase 7h da noite e nada do Claudemir e cia. Eu e Isa já começamos a nos preocupar pois a vó da Thais disse que eles estavam vindo de Õnibus. Nisso vieram as indagações. Será que o Marcos deu o bonde? Será que o carro estava cheio e alguns tiveram que vir de ônibus, será, será?
Isa aguardava a fantasia de chapéuzinho que Pamela havia prometido levar. A festa já começara e nada de ninguem chegar. Isa improvisou uma roupa de chinesa (o clã das adagas voadoras) que ficou uma graça!!!!!!!!

Som rolando, gente se divertindo, fogos no ar, momentos inesperados, eis que um tempo depois, surge Thais e sua bela mãe subindo o corredor de entrada da festa. Triunfais. Fotos para todos os lados. Agora a festa começou de verdade!!!!!!!!!! Diversão garantida.



Só faltavam nossos amigos alucinógenos.

A vó da Thais foi buscar Claudemir mas não achou ninguem e voltou. Clara foi junto para identifica-los. Logo depois chegam nossos queridos para declarar aberto nosso encontro e desvaiar até o fim da festa! Dançamos, pulamos, demos risadas e ficamos juntos!
Momento da valsa e de cantar parabens. O bolo estava MARA!
Uma hora da manha e o povo já estava esvaziando o ambiente. Ficamos a esperar o fretado que iria nos levar de volta ás 2h. Fomos nos trocar e tirar a fantasia.


Fim de festa, quero um lugarzinho pra sentar. Achei uma cadeira livre no salão. Quando fui sentar me molhei inteira, a cadeira estava suja, BÁH. Claudemir já com as brincadeiras, "Ô Juliana vai mijar no banheiro pô" - "Pois é não deu tempo, Isa! me empresta o secador de cabelo."
E lá vou eu no espelho secar minha bunda.


Hora de ir embora, Claudemir pega emprestado o violão e eu saco a minha flauta do mochilão! Fizemos uma Jam pra finalizar esse maravilhoso encontro.
"Todos a bordo, todos a bordo", subimos no fretado rumo nossas vidas.
Claudemir e Anita foram pra casa. Eu, Clara, Isa e Pamela dormimos na casa da Thais, onde, pela manha tbm partimos.


Sábado de sol, galera descontraída, grande família.
Parabéns Thais por mais um ano de vida e de conquistas.
Você merece tudo que há de bom no mundo.
Continue sempre desse jeito linda e pura.

Obrigada pessoal pelo encontro MARA!
Adoro vocês

domingo, 4 de julho de 2010

ISA DIAZ E CLARA BARBOSA ASSUMEM PERSONAGENS DO ESPETÁCULO, AGORA COM UM ELENCO TOTALMENTE FEMININO!


Desde seu cancelamento em 19 de Junho,  e a saída de André Orbacam, Ingrid Conrado, Luara Sena e Grasiela Bonci, o AD tem se reunido para reestruturar o espetáculo e  realizar mais algumas apresentações. Após as cogitações de Claudemir Santos e Marcos Antonyo assumirem personagens (Seward e Van Helsing), o último encontro do grupo no sábado passado em São Miguel terminou com uma solução que remete ao espetáculo VIDA RECRIADA FRANKENSTEIN, realizado entre 2000 e 2001 pelo grupo: com Isa Diaz assumindo Van Helsing e Clara Barbosa, o dr. Seward, Drácula terá um elenco cem por cento feminino. A idéia, sugerida por  Marcos Antonyo, agradou a todos e injetou sangue novo na veia de todos. O espetáculo possivelmente terá uma nova temporada em Agosto, com um  novo roteiro (Claudemir Santos garante um espetáculo mais dinâmico e centrado, com não mais que uma hora e meia de duração)  e um novo elenco em muitos sentidos:

ANITA ABRANTES - Renfield/ Quincey (Agora também a hospedeira)  
ANTEIA LIGIA - Harker/Imediato
CLARA BARBOSA - Seward/Noiva 2 (Sai da produção executiva e assistencia artistica para o palco)
ISA DIAZ - Van Helsing/Capitão/Cocheiro
JULIANA NEVES - Drácula
MICHELLE DIAS - Athur Holmwood (agora também a bela e virginal noiva 1)
PAMELLA FERSÁ - Lucy Westerna/noiva 3
THAYS SOARES - Mina Murray

Esta não é a primeira vez que Isa Diaz salva o grupo. Em 2009, no espetáculo SOBRE DUAS RODAS, ela assumiu a  personagem deixada  por Gisélia Lima e Carol Moisés e, em menos de uma semana e dois ensaios, interpretou com mais vivacidade e talento a personagem,  realizando também uma ótima atuação em MEDÉIA, A VINGANÇA ESTÁ SERVIDA , também de 2009. Fora por opção do processo Drácula, Isa vem de bom grado substituir pessoas e integrar com talento, afinadade e graça o espetáculo.
Vamos nessa, Isa Diaz!

sexta-feira, 2 de julho de 2010

UMA NOITE NA PAULISTA

Nota.
Iriamos nós assistir "Cinema", o recente trabalho da Sutil Cia no Sesi Paulista esta quinta primeiro de julho.
Não conseguimos ingressos. Nos restou as exposições de Maureen Bisilliat no próprio Seis e de Rubens na Caixa Cultural Paulista. Depois, numa entrada na Livraria Culura, nos vimos em meio ao lançamento de dois livros de um certo médico. Coquetel descoberto por Juliana Neves e Anthéia Ligia. Não deu outra: quitutes, tira gostos, batidas e uísque importado.
Nos enchemos. Nunca pensei que o AD seria recepcionado com tanto respeito num local elitista da cultura.
Nos divertimos. Juliana ainda queria tomar umas "brejas", mas já era umas onze da noite e a mãe da Antheia não dorme enquanto ela não chegar. Fumos.

A noite foi agradável. Eu, Anita, Juliana, Anthéia, Michelle e seu respectivo, tudo num belo clima que refletiu bem os encontros do AD: conhecimento artistico adquirido, sorrisos e risadas, bebidas, comidas e algumas pessoas incomodadas.
Eu adoro este espírito de familia que temos!

terça-feira, 29 de junho de 2010

nos SUBTERRANEOS Um Resumo dos Suspiros do Vampiro

Parar Drácula em meio a temporada deu pano pra manga. Amigos e elenco não entenderam  muito bem o por quê paramos. Não faltou bate boca via on line e até um pouco de baixaria erudita. No fim das contas, há uma possibilidade do espetáculo voltar com mudanças radicais e ser apresentado ao menos três vezes. Enquanto isto é decidido, publico aqui algumas reações das pessoas envolvidas no espetáculo.

"FOI MELHOR ASSIM", André Orbacam, pouco depois do cancelamento da peça.

"TAVA FODA, HEIN!?!", Tarcisio Hayashi, duas e quinze da magruda no Bar do Didi/Chicão

"CANCELOU POR QUÊ, BICHO?" , Sacha Arcanjo, ao ficar sabendo do cancelamento.

E MAILS:
From: claudemir Santos
To: dracula2010
Subject: DRACULA CANCELADO

Date: Tue, 22 Jun 2010 03:26:42 +0000



BOM DIA ATODOS

Informamos que as apresentações do espetáculo DRACULA no CUCA estão canceladas, e também aqui finalizamos o processo artistico. Boa sorte a todos na estrada da arte.

Abraços.

From: pamella fersa


To: dracula2010

Subject: RE: DRACULA CANCELADO

Date: Tue, 22 Jun 2010 12:16:20 +0000

Bom Dia!

Como assim canceladas????

Somos um grupo e acho que apenas comunicar "ESPETÁCULO CANCELADO" sem sabermos de fato o que aconteceu???

Faltam apenas duas semanas para terminar a temporada!!

Depois de tanto tempo desde o início do processo, finalizar o processo artístico por e-mail não é legal.

ATT.,

Pamella Fersá

Faça sempre valer a pena!


Date: Tue, 22 Jun 2010 09:44:01 -0300


Subject: Re: DRACULA CANCELADO

From: luarasoaraujo

To: dracula2010
Bom dia não né...

tinha escrito muitas palavras.. mais apaguei tudo e resolvi que não vou me dar o trabalho de dizer o que penso sobre isso, pois se ninguem se deu ao trabalho de explicar nada, e simplismente manda um email para dizer que tantos meses juntos vão acabar assim.. quem sou eu pra me manifestar...
Deixo aqui somente minha indignação pela falta de comunicação e compromisso que foi tão cobrada a todos os integrantes desse grupo que eu achei que tinha....

boa sorte a todos

Luara Sena

From: thais soares


To: claudemir santos

Subject:  Date: Tue, 22 Jun 2010 23:25:21 +0000


Fiquei sem computador por uns tempos, por isso, só hoje visitei o blog.
Já sabia que Drácula estava encerrado, pois você já havia me dito, mas não sabia que você se sentia assim.

Me perdoe por qualquer palavra ou ato desagradável, entrei cheia de esperanças e não queria que tivesse acabado

assim. Porém, eu te entendo, não há como carregar um espetáculo sozinho nas costas.

(NOTA: No dia 19,  após a ultima apresentação de DRACULA, Marcos Antonyo anunciou ao grupo que o espetáculo estava cancelado temporariamente. Neste momento, Pamellla e Luara foram levar uma amiga no ponto. Quando voltaram, boa parte do elenco havia partido e os outros já estavam bebendo cerveja e falando qualquer coisa. Só nos lembramos que as meninas não estavam sabendo na Marginal Tietê, a caminho de São Miguel. Mandei um e mail oficial a todos e... não deu outra. Pamella ficou chateada mas, a Luara... Esta mandou um e mail acima. Eu respondi de maneira agressiva e um tanto descabida. Ela enviou outro à altura. Nada bonito de ser ler, por isto os dois não estão aqui. Luara acredita que não a avisamos de propósito, para não termos que escutar suas indagas. Pensando nesta maneira, Freud chamaria o "esquecimento" de ato falho: a memória que nos convém. É uma pena uma ruptura assim tão drástica. Sinto muito, Luara.
 
Enfim, tudo sob a terra. Drácula ainda descansa.
 
E os dias passam...

terça-feira, 22 de junho de 2010

A ULTIMA APRESENTAÇÃO DE DRACULA


19.06
Uma hora antes do espetáculo já estava tudo ok na técnica. Quarenta minutos antes, tudo certo. A peça atrasa treze  minutos não por incompetência, mas por relaxamento, todos muito tranquilos num clima de lugar qualquer, lugar comum.  Uma calma estranha paira o ar do CUCA. Somente alguns sabem, mas esta calmaria é aquela melhora antes da morte. Tirando a cúpula (Eu, Marcos, Clara, Isa e Anita) ninguém sabe que o espetáculo se encerra este sábado. Deixo para comentar ao final da apresentação para não interferir na mesma.

A apresentação começa. No público, menos de dez pessoas.

É um espetáculo morno, cheio de erros, textos esquecidos, atores canastrões. Cenas que foram cortadas  são colocadas de volta pelos atores, sem permissão. Cena mantidas são esquecidas. Uma indisciplina inédita: um espetáculo com cortes para diminuir o tempo continua com duas horas graças a cacos, demoras cênicas, cenas que voltam após o corte...
 Desagradável, de fato.
 Não há uma criação conjunta, e sim uma necessidade de brilho individual.
 Não há mais para onde ir, não do jeito que está.

O espetáculo termina.

 Desmontando as coisas, cumprimento sorridente a amiga de Pamela, uma bela estudante de teatro chamada Carol . Ela corresponde o sorriso. Não tenho coragem de perguntar se ela gostou do espetáculo. Quem gostaria? Eu já teria ido embora.Vergonha. Após tantos anos, vergonha do que é apresentado. Deus, eu não preciso disso!

Ao final, o grupo se divide em pequenos grupos. Marcos informa o fim das atividades aos semi grupos. Luara e Pamela somem, não recebem a noticia - como sempre, estão à parte, em um mundo individual e salpicado de glitter. Grasi mantém um sorriso sereno no rosto e despede-se juntamente com Thays. Nem noto quando a Ingrid e a Antheia partem. Me sinto mal por não ter proporcionado uma experiência de grupo a todos. Espero que alguns me proporcionem a oportunidade de corrigir os erros que cometi nesta jornada.

Durante o cigarro e a cerveja final, eu, André e Marcos conversamos sobre o destino.
Seria melhor se não tivessemos saído de São Miguel? Acredito que sim, mas agora é tarde.
Algumas pessoas deveriam ser afastadas? Sim, sem dúvida. Maldita segunda oportunidade cristã!
O que fazer agora? Seguir a estrada. Te vejo na curva.
André ri e já  descobre o chavão da noite
: "Tá parecendo aquele velório de morimbundo, onde as pessoas dizem 'foi melhor assim' ".

Rimos.
De fato.

Foi melhor assim.

André vai embora cedo. Gostaria que as coisas tivessem sido diferentes, mas o roteiro da vida não sou eu que escrevo, fazer o quê? Gostaria que ele tivesse ficado mais...

Fim de noite.
 Eu, Marcos, Anita, Clara, ,Juliana,  Pamela e Luara.
Despedidas comuns.
 Simples formalidades.
Juliana junta-se a nós numa farra final.
Luara e Pamella somem com seus amigos em direção ao último metrô.
 Na Marginal, lembro que não avisamos sobre o fim do espetáculo. Clara lembra que a Pamella está com os DVDs do grupo - os quais ela cansou de pedir para que devolvesse.
"Da próxima vez que a gente se ver, pegamos de volta."

A próxima vez pareceu frase de fim de filme, e o carro seguiu pela marginal  Tietê até São Miguel.

E, como sempre, fim de saga no bar do Chicão/Didi.

Lá, Bárbara, Tarcisio, Marrom e Grasi. Duas da manhã. Ficamos até umas quatro horas bebendo, conversando, rindo muito e lamentando pouco.

Depois, em minha casa, olhamos fotos do processo artistico e de outros trabalhos do AD.
Devo registrar que os outros tiveram finais mais felizes que este, artistica e pessoalmente.

Pensando nisto, poderamos nas pessoas que muito nos agradaram e que queremos por perto. Coincidentemente, a maioria destas pessoas - as que mais cresceram em suas artes e em nossos corações - são de São Miguel ou redondezas, tirando aquela pessoa genial que saiu do Tucuruvi para ganhar uma cadeira cativa por aqui. 

Sim, coisas boas aconteceram, e as coisas boas permanecerão.

Agora Drácula prepara-se para dormir.

Digam boa noite, e aguardem um breve despertar.


EM 19 DE JUNHO DE 2010 ENCERRA-SE AS ATIVIDADES LIGADAS AO PROCESSO ARTISTICO "DRÁCULA" REALIZADO PELO ALUCINÓGENO DRAMATICO TEATRO E PESQUISA.  O PROCESSO INICIOU-SE EM JANEIRO DE 2010 E RESULTOU NO ESPETÁCULO DRÁCULA QUE TEVE TRÊS APRESENTAÇÕES: UMA NA OFICINA CULTURAL LUIZ GONZAGA E DUAS NO CUCA SP. DEVIDO A PROBLEMAS TANTO ESPACIAIS QUANTO ARTISTICOS E PESSOAIS, O GRUPO DECLARA O PROCESSO ENCERRADO A PARTIR DA DATA CITADA ACIMA.  

terça-feira, 15 de junho de 2010

Poema em Linha Reta

Nunca conheci quem tivesse levado porrada.
Todos os meus conhecidos têm sido campeões em tudo.
E eu, tantas vezes reles, tantas vezes porco, tantas vezes vil,
Eu tantas vezes irrespondivelmente parasita,
Indesculpavelmente sujo.
Eu, que tantas vezes não tenho tido paciência para tomar banho,
Eu, que tantas vezes tenho sido ridículo, absurdo,
Que tenho enrolado os pés publicamente nos tapetes das etiquetas,
Que tenho sido grotesco, mesquinho, submisso e arrogante,
Que tenho sofrido enxovalhos e calado,
Que quando não tenho calado, tenho sido mais ridículo ainda;
Eu, que tenho sido cômico às criadas de hotel,
Eu, que tenho sentido o piscar de olhos dos moços de fretes,
Eu, que tenho feito vergonhas financeiras, pedido emprestado sem pagar,
Eu, que, quando a hora do soco surgiu, me tenho agachado
Para fora da possibilidade do soco;
Eu, que tenho sofrido a angústia das pequenas coisas ridículas,
Eu verifico que não tenho par nisto tudo neste mundo.

Toda a gente que eu conheço e que fala comigo
Nunca teve um ato ridículo, nunca sofreu enxovalho,
Nunca foi senão príncipe - todos eles príncipes - na vida...

Quem me dera ouvir de alguém a voz humana
Que confessasse não um pecado, mas uma infâmia;
Que contasse, não uma violência, mas uma cobardia!
Não, são todos o Ideal, se os oiço e me falam.
Quem há neste largo mundo que me confesse que uma vez foi vil?
Ó principes, meus irmãos,

Arre, estou farto de semideuses!
Onde é que há gente no mundo?

Então sou só eu que é vil e errôneo nesta terra?

Poderão as mulheres não os terem amado,
Podem ter sido traídos - mas ridículos nunca!
E eu, que tenho sido ridículo sem ter sido traído,
Como posso eu falar com os meus superiores sem titubear?
Eu, que venho sido vil, literalmente vil,
Vil no sentido mesquinho e infame da vileza.

Álvaro de Campos(Fernando Pessoa)

Minha poesia preferida deste Heteronomio de Pessoa!

terça-feira, 8 de junho de 2010

MERDA NÃO!

DRÁCULA começou com o pé esquerdo no CUCA. Com o pé esquerdo? Bah, começou caindo. Não foi um ou outro: foram todos! Da bilheteria ao palco, passando pela técnica, todo mundo errando de torto a direito levando o publico ao tédio ou ao riso do ridiculo de alguns acontecimentos.
Mas eu gostei. Gostei primeiramente porque os erros aconteceram por todos os lados e isto só é possível quando todos estão conectados de alguma forma. O grupo acerta junto e erra junto. OU TODO MUNDO OU NINGUÉM, como costumamos dizer aqui no AD. Me divertir muito na apresentação, durante os erros. Não que eu ache bonito, mas o inevitável é isto aí: na nossa cara: pode rir ou chorar. Não importa. O erro aconteceu, e teatro é isto, é ao vivo, é na hora. Erramos porque não nos dedicamos ao palco e O PALCO ZOMBOU DE NÓS NOS CASTIGOU MOSTROU QUE NELE SÓ SOBE QUEM SE PREPARA DE VERDADE.

Acho que todos aprenderam a lição. Uma lição pra vida toda, eu espero.

Ao público, pedimos desculpas e convidamos para assistir as proximas apresentações, onde nossos erros estarão corrigidos e nossas almas estarão no espetáculo.

Ao atores, peço que não se desesperem, pois o conjunto do nosso erro é a medida da nossa união. Gostei de errar com vocês e não me importo em errar, desde que aprenda algo de novo - e eu espero que todos tenham aprendido.

Aos que riram de nossos erros com maldade no coraçao: Fodam-se vocês, que nunca erram e sempre podem apontar para o errado e cobrar algo como se nunca tivessem errado na vida.

Sabe o que pessoa diz sobre tudo isto?
"Nunca conheci quem nao tivesse levado porrada..." ou coisa assim.

A hiena apenas ri.

Caímos. Vamos levantar. Drácula tem um caminho a seguir.

A estrada segue, senhores.

sábado, 5 de junho de 2010

MERDA SIM!

É HOJE QUE A MERDA É JOGADA NO VENTILADOR

http://www.rosangelaliberti.recantodasletras.com.br/audio.php?cod=5722
AUMENTE O SOM (com som)

Merda é mais que merda, no teatro significa sorte: ela é filosofia e elegância: quem nunca afirmou um dia "sentar em um trono" que atire a primeira pedra!

DIARRÉIA Galera
Até daqui a pouco!

quarta-feira, 26 de maio de 2010

Maillist : Estréia no CUCA 05/06

Fala povo!!!! Conforme o solicitado esta ai mais um maillist do Drácula acabando de sair do forno,
estréia dia 05/06 as 20:00 hs, no Centro Universitária de Cultura e Arte (CUCA) Av. Vergueiro
2485 .
inté!!

domingo, 23 de maio de 2010

22 de Maio no CUCA por Anthéia.


Arte: Anthéia Lígia

Apesar dos pesares,gostei do sábado.Eu não estava 100% por causa que sexta feira eu tinha tomado aquela vacina contra a h1n1,por isso estava derrubada.Hoje foi muito bom,não estou mais com dor de cabeça e curti um churras com os amigos do meu pai.
Sei que o blog aqui é haver como Dracula e tals,mas...Ah!Deu vontade de postar aqui e não em outro lugar!Mas já que é do Dracula...Vamos falar de Dracula então!
A Renata não estava presente lá,senti a falta dela,não só como fotografa mas principalmente "da pessoa dela"!Clara também não foi,e a presença dela é ótima.De qualquer jeito me diverti muito com a Grazi, a Juh e a Michelle!Vocês alegraram meu sábado!
Eu brisando la na frente do bar com o Marcos e a Michelle,estavamos esperando a Ingred,adorei suas canções Marcos!Musiquinhas bem toscas pro sinal...Mas gostei muito!
Depois quando voltamos la para o CUCA,eu fiquei tirando foto com a nova camera da Grazi,que parece muito com a minha,por sinal(será que é a minha?)-Brinks!
A Mih foi minha companheira a tarde toda...até no metrô ela quase que não desce na Vila Matilde de tão bom que estava o papo...A Ingred no onibus tambem quase perde o ponto em que desce.A Thaís estava bem animada também,ri muito com ela...
Tudo as mil maravilhas, (vou deixar os comentários desagradáveis "por não ensaiarmos a tarde para o Claudemir" , ou qualquer outra pessoa que queira comentar...) eu e a Juh resolvemos "trocar os personagnes" fizemos algumas das cenas do castelo invertendo os personagens,eu de Dracula,e ela de Jonathan Harker.Eu ate fiz uma ponta de noiva,para ver ela tentando escapar.Foi simplesmente um máximo!Me diverti muito,e creio que ela também tenha gostado e se divertido com essa brincadeira.
Bem até tinha mais coisas para comentar,mas nem sei se este post já será censurado...De qualquer forma esse fim de semana foi bem gratificante,e eu espero que venha mais dias assim,felizes.

segunda-feira, 17 de maio de 2010

DRACULA INICIA SUA PRIMEIRA TEMPORADA DIA 05 DE JUNHO

O espetáculo "Drácula" estará em cartaz no CUCA Gianfrancesco Guarnieri aos sábados, as 20h, de 05 de Junho a 03 de Julho.
Sábado, o Alucinógeno Dramático reuniu-se para conhecer o local.  Na reunião, foi decidido que algumas cenas serão cortadas e outras, dinamizadas.
acontecerão ensaio dias 22, 29 e uma breve passagem dia 05.
Durante a temporada no CUCA, o AD prosseguirá com seu projeto de apresentar o espetáculo em um espaço alternativo em São Miguel e com patrocinio local.
Enquanto isto não acontece, aguardemos a estréia da primeira temporada no CUCA.


DRACULA


de 05 de Junho a 03 de Julho de 2010.
  20h.
LOCAL: Centro Universitário de Cultura e Arte (CUCA) Gianfrancesco Guarnieri
AV. Vergueiro, 2485 (próximo ao metrô Ana Rosa)

domingo, 9 de maio de 2010




Arte: Antheia Lígia



Espero que vocês todos gostem!






Arte: Antheia Lígia

sexta-feira, 7 de maio de 2010

DIALOGO ENTRE SANTO E SANTOS SOBRE O ENSAIO ABERTO DE DRÁCULA


Após o ensaio aberto de "Drácula", muita gente quis dar pitaco na criação do AD. Uma destas pessoas foi o fundador, diretor, dramaturgo e ator Alexandre Santo, velho cão de guerra, na luta pela arte há tempos, desde o inicio da década, ao menos. Por vezes travamos diálogos sobre arte, teatro e estas coisas assim. Apesar da vertente clown em sua veia, não o considero um comediante, mas um ator completo, pois já o vi dominar dramas surreais em suas concepções. Aqui, reproduzo o diálogo que tivemos acerca do ensaio aberto - e possivelmente vou acrescentar mais comentários conforme o diálogo prosseguir. Santo tem algo a dizer, e é interessante ouvir alguém como ele. Divirtam-se, crianças!


orkut de Claudemir Santos,

26 de Abril de 2010.
Recado de Alexandre Santo
Dividido em três partes:
Claudemir fui ver o dracula porém não fiquei até o fim na verdade fiquei só no começo, tive que sair. Porém o que vi gostei muito , vcs estão de parabens . Seu trabalho esta crescendo cada vez mais , isto mostra a sua inquietação em busca do melhor, isso é fundamental para o artista. E vc sabe disso. Vc é ousado e sabe fazer muito bem o que propõe fazer! Pensei umas coisas , e se me der esta liberdade posso soltar para vc ver se faz sentido ou não.
Continuando . Cara eu até sonhei com o Dracula rsrsrs. Foi louco. Só que era tudo feito ao céu aberto , um lugar cinematografico, mas tudo de chão de terra vermelha!! E o Dracula não aparecia, ficava só o suspense rsr.
Bem pensei umas coisa mas eu penso pq penso de mais. Se achar qeu pode servir eu falo. nada de incrivel, apenas bobas sugestões!
parabens!! Alias adorei as intervenções suas e do marcos rsrs...Bem isso faz parte tb das sugestões que daria rss!
inté. parabens! "

Em qui, 29/4/10, Claudemir santos escreveu:
De: Claudemir santos
Assunto: nada a declarar
Para: ciarealudica@yahoo.com.br

Data: Quinta-feira, 29 de Abril de 2010, 4:23

O e mail é este. Aguardo o seu.
Abraços,.
Boa apresentação em americana!

Date: Thu, 6 May 2010 19:54:33 -0700

From: ciarealudica@yahoo.com.br
Subject: Re: nada a declarar
To: claud-santos@hotmail.com

Desculpe a demora!
Pensei , pensei, talvez eu não tenha nada a declarar, vi pouca coisa! Seria muita pretensão a minha dar apontamentos para uma coisa que não sei exatamente o que pode vir a ser! Mas posso dizer que, enquanto eu assistia, algumas idéias passaram livres por minha cabeça. E neste passear livres dos fatos degustei curioso o proposto daquela apresentação-ensaio-aberto. Em primeiro lugar sabe que gosto da sua ousadia e do acabamento delicado que dá para tudo: movimentação dos atores adereços cenário, luz. Agora vai a primeira observação, e quero que assim entenda tudo que eu escrever como observações, ou seja, em algum lugar eu vi isso, nem que seja na minha imaginação fértil rs.

1º A ATRIZ DRACULA: Todos bons atores apesar da pouca idade. A moça que faz o dracula é muito boa, e tem um bom corpo também. Calma, eu vou explicar. Pensei que ela pudesse criar seus movimentos a partir de uma dança continua, ininterrupta. Aproveitar a trilha, que é ótima e deixar o corpo agir como ondas sonoras. Pequenas vibrações. Deixar o corpo vivo o tempo todo como estivesse preste a explodir. Nas outras personagens, poderia ter também um “Q” de estranheza, que não fossem tão normais.

2º AS IRTERFERÊNCIAS: Gostei das participações sua e do marcos. Não sei se era proposital , mas era sempre em momentos de encantamento e, ou de suspense. O que acontecia era uma quebra tirava todos da ilusão do espetáculo. Tipo: “Não se deixe levar, “é só uma peça de teatro”. Gostei!

Isso é para pensar ,porque é curioso. Lembra do sonho que disse que tive deposi de assistir vocÊs? Pois é, tem umas curiosidades neste sonho. O Lugar era como uma cidade cenográfica em meio a chão batido de terra vermelha. E o louco é que não tinha O DRACULA! Todos eram suspeitos até a última ordem , isso fazia com que a suspensão fosse mais densa.
Bom, acho que é isso!
Um abraço e bons trabalhos!
Inté!
ass. alexandre

Resposta de Claudemir Santos
por e mail em 07 05 10 - 01h15

Olá, Santo.

Gostei das observações e tem a ver, sim - pena que você não foi na estréia, onde suas sugestões sobre o movimento - que sempre foi a proposta cênica - foi bem mais explorada pelas atrizes. Também acho que ainda falta um pouco de voz, mas o processo de criação continua, mesmo depois da estréia. Sobre as "interrupções" minha e do Marcos: nossa idéia era ter o ensaio aberto como um "making of", mostrar os bastidores mesmo: a maneira que trabalhamos durante o ensaio. O humor, o nervosismo, a desistencia, a insistência... Este negócio de iludir o público é bobabem: todos sabem que é teatro, não sabem? Pra que sangue e dentes pontiagudos? Sou contra, mesmo. Boa parte dos artistas - de todas as áreas - ainda está no renascimento, onde a pintura primava por copiar a realidade com todos seus detalhes. Mas com o advento da fotografia, pra que pintar a realidade se você pode obtê-la com um simples click? Isto deu margem para o nascimento da arte moderna, e é nela que acredito. O cinema e a televisão copiam bem a vida; deixa o povo do teatro viajar, caramba!
Sobre seus sonhos, alguns do elenco juram que é Paranapiacaba, e Renata Teixeira tá louca pra levar a peça pra lá. Por enquanto iremos para o Cuca, mesmo. Gostaria muito que você assiste o espetáculo no final da temporada. Acho que até lá ele estará pronto - ou pelo menos bem mais próximo do que eu desejo para ele"!
Obrigado, meu véio, e Abraços!

ps: divulguei as apresentações do CEU em nosso blog. Caramba, tu tá apresentando pra porra, hein!!! Parabéns!


(Mais informações sobre o espetáculo da Cia Realudica nos CEUs: http://alucinogenodramaticoblogspot.com)
Contatos com Realúdica:  ciarealudica@yahoo.com.br 

quinta-feira, 6 de maio de 2010

CUCA ENTRA EM CONTATO PARA PLANEJAR A ESTRÉIA DE DRÁCULA

"Se o destino estiver sendo generoso contigo, seja generoso com os outros; a generosidade não será perdida se a vida estiver ao seu favor, e a economia não te salvará se a vida estiver contra ti."(noites árabes: as mil e uma noites) 

Hoje Claudemir Santos recebeu um e-mail de Pedro, do CUCA (Centro Universitário de Cultura & Arte) para fazer os últimos acertos da temporada do espetáculo no espaço. Por eles, o espetáculo estreiaria dia 15, conforme planejado, mas Claudemir Santos tentará negociar  dia 29 de Maio ou 05 de junho  para a estréia no centro.
O Núcleo Central (Claudemir Santos, Marcos Antonyo e Clara Barbosa) se reunirão domingo para definir mudanças no texto e no elenco para ajustar a peça para a primeira temporada. O longo tempo do espetáculo e problemas causados por alguns atores fazem parte da pauta.

Dia 15 o grupo se reunirá possivelmente já no espaço CUCA para as adaptações artisticas e conhecimento do espaço. A temporada está prevista para ir até 03 de Julho.

terça-feira, 4 de maio de 2010

DRÁCULA ESTRÉIA EM SÃO MIGUEL

01 DE MAIO DE 2010.

Com mais de quarenta minutos de atraso, cenas concluidas em cima da hora, um público de mais de cinquenta pessoas onde figuravam personas importantes da cultura local e duas horas e dez de espetáculo, o Alucinógeno Dramático estreiou o espetáculo "Drácula". Com duas horas e dez minutos de duração e algumas falhas técnicas, o espetáculo foi aplaudido com vontade por seu público que pareceu aprovar o espetáculo.

No público encontravam-se ex integrantes do grupo como Richard Stuart, Isa Diaz (que participa do grupo em "Medéia: vingança está servida!"), Cylene Santos e o empresario Ananias Macedo, de "Sobre Duas Rodas". Também presentes Tarcisio Hayashi (que compôs parte da trilha de Drácula) e Bárbara Ramos.

Dos artistas locais, tivemos a presença de Sueli Kimura, Akira Yamasaki, Raberuan, Zulu de Arrebatá, Tiago Araujo e sua bela esposa Isis, Nando Z (que chegou no meio e no meio foi embora), Rodrigo Marrom (que chegou no final da peça) e, claro, nosso patrono e mecenas Sacha Arcanjo.

Outros influentes presentes eram o jornalista Gilberto Travesso  e o querido Alexandre Tavares, amigo e investidor; com seu sorriso, sua simpatia e sua bela esposa ao lado.

Também se encontravam  na apresentação a equipe de um programa da UniSantana, que ao final da peça realizou uma entrevista com o ator André Orabacam e o diretor Claudemir Santos.

Elogiada e aplaudida, a peça passará por ajustes de tempo (cenas serão cortadas) e possíveis mudanças nos papéis do
 elenco.

O DESTINO DE DRÁCULA NO CENTRO UNIVERSITÁRIO DE CULTURA E ARTE

Se tudo der certo, o espetáculo fará uma temporada no CUCA (Centro Universitário de Cultura e Arte) entre Maio e Junho. Claudemir Santos ainda deseja realizar a temporada em São Miguel, possivelmente após Julho. Depois de fechada as apresentações no centro de São Paulo, o diretor e produtor reiniciará sua busca por uma locação no bairro de São Miguel.
Desde que enviou os documentos para o espaço, esperamos o contato deles para fechar as datas de apresentações. Marcos tentará falar com os responsáveis ainda hoje. Quem sabe a noticia não demora a chegar, né?

UMA ESTRÉIA CHEIA DE INDAGAS! (OS BASTIDORES DA APRESENTAÇÃO DO ESPETÁCULO "DRÁCULA" DO ALUCINÓGENO DRAMÁTICO)


(ATENÇÃO, LEITORES: ESTE TEXTO SÓ TEM INDAGAS, FOFOCAS, MAL DIZERES E VERDADES INDESEJADAS!)

sábado. fecho a trilha de DRACULA 13 horas. ajeito isto e aquilo pra levar e, quando vou ver, passou das duas. no caminho para o ponto de onibus ligo para marcos - através do celular da anita e digo que estou saindo de casa agora. ele diz que, se eu ver uma casa de umbanda aberta, passar e comprar vela vermelha e cigarros de palha. ele diz que as lojas de são miguel estão fechadas - exceto pelas que vendem roupas. sugiro a casa ao lado do mercado municipal. ele diz que vai tentar, mas acredita que ela também esteja fechada. como as coisas fecham no sábado a tarde? pergunto e ele responde: claudemir primeiro de maio. eu havia esquecido que era um feriado. sabia apenas que as vinte horas DRÁCULA iria estreiar no lugar onde o ALUCINOGENO DRAMÁTICO sempre estréia seus espetáculos.

Numa casa de umbanda no Itaim compro meio quilo de vela vermelha e cigarro de palha. No Teruya, o martelo para enfiar estaca em vampiros. Chego na oficina quinze e trinta. Todos presentes, exceto Michelle Dias, que chegará do trabalho em breve. Neste meio tempo, Orbacam ministra uma oficina de "fumação de cigarro de paia". Técnica ok - e Michelle presente - iniciamos o ensaio e terminamos as cenas finais. Luara sofre um acidente no meio do ensaio e fode o cotovelo. Marcos presta socorro. André começa aquele papo de peça maldita, olha quantos acidentes já aconteceram e blá blá blá. Fico na minha: não sei se ele tá brincando ou se acredita mesmo. Mas que acho marmelada, acho. Pessoas desastradas e desatentas se machucarão até em espetáculos como "O milagre da Madre Tereza de Calcutá" ou coisa parecida.  

O ensaio segue. Eu continuo o ensaio. Ela volta, mais fresca que nunca por causa do tal cotovelo. Desentende-se com Antheia. Desentende-se com muita gente. Se demorar a se entender, deverá ser substituída, penso eu. Indiferente ao futuro , o final acontece. Duas cenas foram cortadas. O espetáculo deve estar com uma hora. Passamos os trinta minutos finais do espetáculo e os atores tem uma hora para vadiar e se arrumar. (Orbacam queria parar as 18h. Aliás, por ele nem ensaiariamos porque era dia de estréia... eu, hein!)
Dez pras oito. Luara diz que falou à mãe - que veio da Bahia pra ver a filha na peça - que o espetáculo seria as 20h30. Digo que vou segurar a peça o máximo que puder. Seguro até 20h40 e peço para Clara liberar a entrada do público. Antes, porém, a sala foi invadida por alguns e eu pedi gentilmente que aguardassem mais dois minutos para que os atores se arrumassem. Alguém do público resmunga. Não tenho dúvidas e digo:

"Se não quiser esperar, pode ir embora!" - resmunga de novo e é a vez do Marcos:

"Pode ir! Boa sorte!"

Diz Sacha algumas horas depois que o resmungão havia sido ninguém menos que o bom e velho Raberuan. Rãh, Raberuan!


O público entra e vai se acomodando. Casa lotada, mais cadeiras são necessárias. Mais de quarenta pessoas no pequeno espaço da casa. Nos bastidores, uma Luara desaforada intercepta uma Clara Barbosa em seu momento de produção artistica:

"Clara, diga ao Claudemir que eu não vou começar a peça sem a minha mãe chegar." - São 20h42. Thays já correu e entrou em cena. Drácula demora a entrar. Fico preocupado. Que demora é essa?

Nos bastidores, Clara avisa o Marcos que diz a Luara: "Você vai entrar, sim!"

Drácula entra e arrasta a filha da hospedeira.

Clara diz algo a Luara e tenta conscientizá-la sobre funções e profissionalismo. Luara chora. Chora, mas entra em cena. Seu canto sai entremeados com soluções e lágrimas. Acho-a muito boa e viva em cena, mas nem imagino o que está acontecendo.

Minutos depois, Sacha diz a Marcos: "Tá lotado, não deixa entrar mais ninguém."

Mas, no portão, surgem três mulheres que desejam entrar.

"Parentes da Luara?"

"Não; da Ingrid."

Sachão vai até o Marcos.

"Tá lotado, bicho!"

"São só três, Sacha!"

Mas, ao olhar de novo para o portão, o numero já era bem maior: os parentes de Luara haviam chegado.

Antes que Marcos pudesse resolver a situação, Luara saiu da coxia exigido a abertura do portão. Com muita paciência, Marcos diz para ela voltar a coxia e se concentrar em seu trabalho de atriz.

"Você vai abrir este portão AGORA!" - diz ela, apontando o dedo para a cara de Marcos (e qualquer pessoa em sã consciência sabe que não se deve fazer isto com ninguém: muito menos com o grandão ruim pra porra!)

Marcos mandou abaixar a mão e colocou a aspirante a atriz em seu lugar, ordenando que descesse do salto e deixasse de estrelismo. Esclarecendo que o espetáculo era composto por muitas pessoas e não apenas ela. Depois que a baiana foi cuidar de seus afazeres, Marcos abriu o portão e deixou que as madames atrasadas adentrassem no recinto.

Renata Teixeira fotografava e Alexandre D'Lou filmava. Ele teve a excelente idéia de subir em uma das caixas de som, que na verdade eram retornos e quase caiu no chão, chamando atenção do público e quase fudendo aquela câmera que eu nem sei onde ele conseguiu. Só não caiu porque Marcos tava por ali. Mesmo assim não desceu da caixa até a terceira desequilibrada. Do outro lado da platéia, Renata fotografava o espetáculo e olhava para um menininho que ela tinha certeza que ia ter pesadelos à noite. Certo momento o menino perguntou algo a ela sobre o espetáculo. Eu já não lembro o que é, mas me pareceu engraçado quando ouvi.

Outros  inconvenientes rolaram na platéia, onde o músico e compositor Tarcisio Hayashi tentava assistir o espetáculo ao lado de Bárbara Ramos e em pé - em é e em vão. Estava difícil. De um lado, Thiago Araújo falando durante o espetáculo. Do outro, uns “velhos tarados” do MPA  de olho no elenco feminino do espetáculo (o que é compreensível). Hayashi, de saco cheio, saiu para fumar um cigarro. Tiago o seguiu. Hayashi não resistiu e indagou: "Ô Tiago, quando você vai no Sesi, Sesc, você também fica conversando na platéia?"
Hayashi ainda flagrou Andrew (do canal universitário UniSantana) rindo durante o espetáculo e fazendo comparações entre a peça e o filme de Coppola (será ele o rapaz que o pai de Alexandre D’Lou classificou como “caçoador” da peça, que ria jocosamente onde não havia humor e fazia comentários maldosos?). A conclusão que chegamos depois no quebra facão, é que o estudante não leu o livro e confundiu Bram Stoker com Coppola (assim como também não difere sombras expressionistas do Kabuti e do Nô. Mas aí seria exigir demais do menino que, depois do espetáculo, entrevistou André Orbacam e este que vos escreve para o canal da faculdade. Diante do sorriso televisivo, da “atitude jovem meio radical saca?” e das perguntas com ar intelecto-esporte-atual, descobri porque Bob Dylan nunca levou estes caras a sério. (alguns deles estavam tão à vontade que até queriam ficar ali onde as meninas estavam se trocando. Pedi pra Clara pedir ao D'Lou que pedisse que os rapazes se retirassem , por favor! Eles saíram, de boa. Se eu fosse eles, tinha dado um jeito de ficar...) 
De qualquer forma, mantive a educação com o repórter e não fui indelicado nas respostas (porque não sabia ainda do que tinha acontecido na platéia)  – espero não me arrepender em breve. Rindo e conversando na platéia... Se eu soubesse, teria ido fumar com Hayashi o bom e velho Marlboro.

Mas não fui. Eu operava luz e som em pé, pois havia doado minha cadeira a um espectador. Olhava a reação do público, bem positiva por sinal. Lá pro meio do espetáculo, ouço Raberuan dizer: “Teatro é uma coisa louca, né, meu?!”. Esta sua admiração justifica sua impaciência: o cantor e compositor de Ermelino saiu antes do fim do espetáculo por causa de outro compromisso.

Mas o espetáculo seguiu. Seguiu que não acabava mais. Todo o tempo olhava no relógio e a peça se arrastava. Com o atraso de quarenta e poucos minutos em mente, mais a morosidade de algumas cenas – sim, os atores ainda não estão em um bom ritmo! – a peça não ia. Mas foi. Foi em duas horas e dez minutos. Durante os aplausos que duraram um bom tempo (o que é muito positivo, pois indica que o público não estava cansado para aplaudir e nem com pressa de ir embora), penso em como vou tirar vinte ou trinta minutos de um espetáculo que, apesar do tamanho, tem uma dramaturgia perfeita???


Antes do final absoluto, palmas. Rodrigo Marrom chegava naquele momento, aplaudindo o espetáculo e gritando o quanto ele havia sido bom - pior Nando Z, que chegou atrasado e saiu antes do final: o bicho fugiu que ninguém viu!  André Orbacam cometeu suas gafes no último discurso - ou primeiro? - discurso do espetáculo: agradeceu à Centro Cultural Luiz Gonzaga. Fiquei quieto. Agradeceu aos três diretores. Três? Tá bom. Tô na minha. Chama o “grupo” de “Cia. Teatral”. Começo a ficar preocupado. Diz que estaremos todos os sábados ali. Depois de entender que havia realmente escutado o que escutei, corrijo André discretamente. Ele sorri, corrige-se e anuncia que passaremos a sacola. O dinheiro adquirido pagaria 10¨% da produção do espetáculo. Tudo bem: Drácula acaba de nascer. Esta história ainda tem muito sangue pela frente!

segunda-feira, 26 de abril de 2010

ENSAIO ABERTO: AS PRIMEIRAS IMPRESSÕES DE DRÁCULA


(fotos de Renata Teixeira)

Cheguei as 17h. D'Lou já estava presente. Anita chegou pouco depois. Thays Soares e Letícia um pouco depois - Letícia é uma antiga aluna do tempo do Studio Arte & Dança: muito bom revê-la mais linda e inteligente, menina!
Marcos chega, enfim e corre para o fundo para montar cenários e adjacências, enquanto eu e D'Lou colocamos a trilha sonora dividida em dua mídias.
O elenco vai chegando aos poucos. Orbacam chega acompanhado de Pam, um encanto de pessoa - possivelmente uma artista também. Renata Teixeira chega com sua gang: Fernanda e Guerreira  (não lembro o nome da moça, desculpa, Guerreira!). Um pouco depois, as duas estarão ajudando a colar a tampa do caixão de papelão com cola quente e ouvindo minhas piadas pervertidas sem perder a esportiva. Ótimas, as meninas da gang da Teixeira. Aliás, Renata trouxe o note book para exibir suas fotos - o que não deu muito certo porque eu fiz um planejamento falhado e esqueci de pedir o note book do Hayashi para a tal exposição digital.

O elenco se atrasa e demora para se aprontar - se fossem mais rápidos, teríamos mais tempo para ensaios e acertos. Precisamos de mais uma conversa séria sobre isto? Acho que depois do ensaio aberto, eles vão saber valorizar mais o tempo que temos juntos para criar.

No mais, o rotineiroe inesperado:  lampadas queimam, coisas quebram, o som não funciona direito. Tudo dá errado no primeiro momento. Ótimo: não nos prendemos ao arame: estamos prontos para voar.
Poucas pessoas. Parentes, namorados e alguns amigos valiosos. A apresentação começa com apenas dez minutos de atraso - o que é um recorde se tratando do AD.
Algumas pessoas parecem não entender bem o que acontece. Com certeza alguns não leram o programa:

O ENSAIO ABERTO Desde janeiro estudamos e ensaiamos –mas isto não foi suficiente. Veteranos e iniciantes lado a lado no processo de criação. Difícil criarmos juntos, complicado escutar o próximo, horrível socializar numa época globalizada onde é cada um por si. Sempre achamos nossa visão correta: aprendemos a enxergar a partir de nossos defeitos. Partimos do egoísmo proposital até a colaboração mutua e espontânea. Algumas pessoas ampliaram limites, outras surpreenderam – poucos desistiram. Agora nos resta um último componente no espetáculo inacabado: o público. No ensaio, cenas voltam, são discutidas, criadas. Divertido. Às vezes, tenso. Não se preocupem: estamos criando! Depois desta noite, poderemos enfim finalizar a montagem – até a próxima apresentação, ao menos, quando novos horizontes se tornarão possíveis. Divirtam-se!

Durante duas horas, ensaiamos de fato. Marcos me parece muito duro em alguns momentos, mas decido não interfirir em suas reações. Anthéia, afobada por natureza, é quase levada a loucura. Acho que ela não sabe o quanto é dificil seu personagem. Faço-lhe o elogio merecido. O ensaio segue. André é paciente, original e ganha a simpatia do público com seu bom humor e sua educação exemplar - tirando os palavrões que ele inseriu na cena do navio, que vai render-nos uma censura de 16 anos. Tudo bem: a cena está ótima.

Interrompemos o ensaio as 22:35. Leandro Calado está presente. Peço que fale ao elenco. As observações do comediante são enriquecedora a todos. É hora de encerrar antes que algum desafortunado abra a boca e fale sobre o que não sabe. É neste momento que Luara (que sempre fala demais!) diz que quer escutar as outras pessoas do público. Um artista de rua (que não entende muito lá de teatro pelo jeito) diz algo sobre espelho e verossimilhança. Eu e Marcos rebatemos com educação.  Com pressa de encerrar aquela conversa antes que alguém mais abrisse a boca indevidamente, encerrei a atividade e cometi um erro terrivel ao não citar Alexandre D'Lou e Renata Teixeira, que cuidam do registro do espetáculo: desculpem, amores: não acontecerá novamente!

É incrivel como todo mundo entende de teatro, construção de personagem e coisas assim sem ter estudado, passado por processos. E mais incrivel ainda é existir atores que não buscam seus personagens em si, mas desejam que os outros digam como ele deve ser. Porra! Se o personagem é meu, eu tenho que buscá-lo, não esperar que alguém o resolva por mim! A maioria das pessoas que dizem saber, não sabem. Leandro Calado é correto em seus comentários: sabe até aonde os atores podem ser ajudados e até que ponto o que parece ser um erro é, na verdade, um detalhe estético que foi mantido pelo diretor. No mais, Leandro sabe que há coisas que não interessam ao público: por isto, fala em particular com boa parte do elenco.

Alugado mais do que devia ser - as pessoas confundem generosidade com uma chance de se aproveitar do conhecimento alheio - Leandro ainda fica por ali me contando suas novas experiências artisticas e seus trabalhos atuais.

Das pessoas que a opinião interessavam, também estava presente Alexandre Santo da Cia. Realúdica, que teve que ir embora mais cedo. Hoje, abro meu orkut e encontro seus comentários:

"Claudemir fui ver o dracula porém não fiquei até o fim
na verdade fiquei só no começo, tive que sair. Porém o que vi gostei muito , vcs estão de parabens . Seu trabalho esta crescendo cada vez mais , isto mostra a sua inquietação em busca do melhor, isso é fundamental para o artista. E vc sabe disso. Vc é ousado e sabe fazer muito bem o que propõe fazer! Pensei umas coisas , e se me der esta liberdade posso soltar para vc ver se faz sentido ou não.  
Continuando . Cara eu até sonhei com o Dracula rsrsrs. Foi louco. Só que era tudo feito ao céu aberto , um lugar cinematografico, mas tudo de chão de terra vermelha!! E o Dracula não aparecia, ficava só o suspense rsr.

Bem pensei umas coisa mas eu penso pq penso de mais. Se achar qeu pode servir eu falo. nada de incrivel, apenas bobas sugestões!
parabens!! Alias adorei as intervenções suas e do marcos rsrs...Bem isso faz parte tb das sugestões que daria rss!
inté. parabens! "

Ter um retorno dos artistas locais sobre nosso trabalho me deixa muito feliz. Até porque eles entenderam a proposta inicial do espetáculo e elogiaram, ao mesmo tempo que notaram alguns erros e comentaram com todo o cuidado que devem ter neste caso.

Uma coisa que me deixou contente, foi terem notado a influência do cinema em nossa estética, o que é um diferencial no trabalho do grupo. Ouvi coisas como "parece cinema', "isto é cinema" e "cinema puro!".

Acredito que o espetáculo está em um bom caminho, e as pessoas confirmaram isto.
Agora, nos resta a  estréia e a primeira temporada de Drácula. Até o momento, as coisas estão controladas. Mas sei que é só um começo. Ainda há muita estrada pela frente!

quinta-feira, 22 de abril de 2010

ALÉM DOS OLHOS PÚBLICOS

ALÉM DOS OLHOS PÚBLICOS
Introdução ao ensaio aberto de “Drácula”


“Segredos sempre são revelados. Mistérios nunca são desvendados”.
(Paulo Coelho, Roda Viva, Tv Cultura. Década de 90).


Passei os últimos dias de 2008 e inicio de 2009 (pra ser mais exato: de 30/12/08 a 09/01/09) adaptando “Drácula” para teatro por não ter nada pra fazer. Dificilmente passo o final de ano com alguém, e a solidão nesta época do ano me é muito atraente.

No inicio de 2009, comentei no bar do Didi/Chicão sobre a adaptação. Tiago Araújo gostou da idéia e ofereceu-se para Jonathan Harker, enquanto sua esposa Isis faria Mina Murray. Já imaginamos Nando Z de Renfield, Hayashi de Drácula, Marcos de Van Helsing, Clara de Lucy, e assim por diante. A idéia era bacana, um espetáculo único: a mais nova geração artística de São Miguel unidas em um evento único!

É claro que não foi longe. Cada um dedicou-se ao seu trabalho (G.R.A.ve. tocou suas músicas, Tiago publicou seus textos, o AD criou “Medéia”). Mas Drácula não saiu de minha mente. Pensei no processo artístico acontecendo em junho de 2009 para ter o espetáculo em cena em Outubro e aproveitar a festa do dia das bruxas. Mas a pesquisa estava apenas no começo.

Pesquisando na NET, conheci o trabalho de Michelle Bittencourt, uma pequena notável lá de Pernambuco. Criamos um laço forte de amizade digital e cruzamos noites conversando por MSN sobre vampiros, estudos e música. Este contato muito me incentivou realizar o PROCESSO ARTISTICO DRÁCULA. Com o aval e o apoio de Marcos “Fersil” Antonyo e Clara Barbosa, comecei a planejar e captar materiais. Alexandre Tavares ajudou-nos com a pesquisa filmográfica e me presenteou com o Drácula de Bela Lugosi. Ligia Martinez passeou comigo pelo centro de São Paulo e conseguimos – depois de muita procura e garimpagem – alguns títulos da Hammer com Christopher Lee (e ela ainda me conseguiu o de 58 via Internet). O de Copolla chegou depois, direto da Fnac, onde eu e Anita achamos a peça rara.

Dezembro de 2009.
Divulgamos o processo artístico via Internet. Apareceram mais de cem interessados. Após uma carta aberta para dispensar modelos e estrelas com ilusões globais em janeiro de 2010, a centena caiu pra dezenas. Cinquenta inscritos. Trinta confirmados. Dezessete presentes.

O primeiro a chegar foi André Orbacam. Uma hora adiantado. Chegou jogando limpo: “Vim pra tentar fazer o Van Helsing.” Orbacam, apesar dos 27 anos, já é um veterano vivendo de sua arte e com suas concepções artísticas bem estabelecidas. Pouco depois, Luara Sena chega de mala e cuia na oficina, direto da Bahia. Um encanto a menina, de cara. Comunicativa, extrovertida, carismática. E todos foram chegando.

Dos conhecidos, Grasiela Bonci – contadora de história nata, que descobri num sarau de Suzana Diniz (antes, ela era apenas uma colega de turma. Eu nem imaginava seu talento, e muito menos o carinho e amizade que nos aguardava); Ingrid Conrado estava na seleção de um vídeo clipe que Alexandre D’lou estava dirigindo e me convidou para fazer a preparação dos atores. Thays Soares havia sido aluna minha na Keila, muito talentosa, e sentia o desejo de estar sob minha direção novamente. Juliana Neves conheci nas noites de Quebra Facão. Havia feito um curso de clown e estava por aí, metendo as caras nas portas abertas e, por fim, Anita Abrantes, que conheci semanas antes, e estava no grupo para auxiliar na produção de Medéia.

Dos ilustres desconhecidos, Anthéia Ligia: jovem e exótica, com uma inteligência rara. Pamella Fersá diretamente de Osasco. Chegou as 20h30 com um sorriso iluminador no rosto, exalando beleza e sensualidade:
“Claudemir Santos?”
“Sim.”
“Pamella Fersá. Prazer.”
Foi só vê-la, já soube que ela seria minha Lucy. E, por fim, Michelle Dias. Já a conhecia de vista; havia participado de algumas oficinas na Luiz Gonzaga. O plano era tê-la como figurinista, mas ela bem que quis tentar um personagem, e eu achei ótimo!

Haviam outros participantes. João Marcos Godoy, Andressa Francelino (cidadã do mundo, bacharelada em teatro que causou laços de amizades conosco), Ataliba Chateaubriand (veio uma vez e nunca mais!), Karina Freitas (do curso de Clown, amiga da Juliana), Nicole Costa (que também estava no vídeo clipe de D’Lou), Daniela Oliveira (prima de Isa Diaz, atriz do AD) e Cibele Carvalho.

Do processo, apenas Ataliba desistiu. Dos dezesseis, catorze foram selecionados para o espetáculo. Dos catorze, dez ficaram: Juliana Neves, André Orbacam, Luara Sena, Antheia Ligia, Pamella Fersá, Grasiela Bonci, Anita Abrantes, Michelle Dias, Ingrid Conrado e Thays Soares.

Completando o time, a fantástica Renata Teixeira registrando quase tudo com sua objetiva e Alexandre D’Lou registrando em vídeo alguns de nossos momentos. Mais atrás, porém não menos importante, Tarcisio Hayashi na trilha sonora, apoiado por Nando Z e Rodrigo Marrom, todos do grupo G.R.A.ve.

Para Clara, Marcos e eu, uma nova página do AD começava a ser escrita. Para quem chegava, uma nova estrada estava à frente.

Não foi fácil. Temos uma maneira peculiar de trabalhar. Deixamos a criatividade fluir fugindo dos rótulos, criando por conta própria pra depois socializar a criação. Ágeis, temos o habito de fazer duas ou três coisas ao mesmo tempo. As pessoas se perdem, estranham, acham que algo está errado. Mas nada há de errado. Alguns pegam nosso jeito, outros esperneiam. Não adianta. A casa é nossa e a parede será desta cor. E então, quando boa parte do elenco aprende isto, damos o pincel e uma paleta de cores para cada ator.

Evoluções acontecem. Namoros, paixões, amizades acima de tudo. Uma aventura e tanto o teatro, enfim. Após os ensaios, há as bebedeiras nos bares de sempre. Há dormida e comida nas casas uns dos outros. Segredos são revelados; dores, divididas. Inferno: esses merdas estão se tornando amigos! Daqui a pouco seremos uma família, quer ver?

Nos ensaios, cada um tem seu momento de nervosismo, esporro, reclamação, descontração e criação. Entre Ingrid e Juliana, é difícil definir quem interpretará Drácula. André está louco pra saber. Eu, Marcos e Clara nos divertimos. Vamos definir o Drácula só na estréia? E é quase isso que acontece. Escolhemos Juliana em primeira instância. Ingrid, num momento de rara nobreza aplaude a “concorrente” em sua alma, mas sua boca me diz que deveria ter se dedicado mais. Merece um abraço, a menina: se dedicou ao máximo e, se não ficou com o personagem, foi por uma questão de estética e de tempo. Aos que não sabem, ela tem 16 anos e fez apenas um curso de teatro antes: se saiu melhor que muita gente e, não duvido, tem um futuro promissor pela frente. Eu aposto todas minhas fichas nela!

Eu, particularmente, aprendi muito vendo Marcos dirigindo os atores enquanto eu me preocupava mais com a estética do espetáculo. E até mesmo a Clara descobriu-se mais artista do que pensava ser: orientando cenas como as da noiva e de Arthur, mostrou-se sensível e inteligente na direção de atores.

Nos mais, houveram falhas, raivas e discussões, sobretudo por causa de tempo ou de visões sobre este ou aquele momento. Assimilamos tudo e transformamos nosso conhecimento em algo maior. Devo ressaltar aqui André e Pamella, cuja colaboração com os outros atores e com as soluções cênicas estiveram muito presentes durante os ensaios. Anita também surpreendeu a todos quando encarou Quincey Morris e o fez melhor que o ator que desistiu do papel por motivos de saúde em família.

Assistindo aos últimos ensaios, Renata Teixeira achou o máximo e escreveu um texto animador aqui no blog. No dia seguinte, Hayashi entregou mais músicas para a trilha sonora do espetáculo. Nando Z oferece o carro e a alma caso a gente precise e Alexandre Tavares faz vista grossa para a dívida de fotocópias que fizemos em seu estabelecimento, assim como Sacha Arcanjo também faz o possível e o impossível para que possamos concluir o espetáculo.

Sim, são muitas pessoas colaborando conosco. E isto tudo além dos olhos do público, que terá como informação apenas o espetáculo em si. Senhores, o espetáculo é muito pouco se comparado com toda a estrada que percorremos para chegar até aqui.

Amanhã, 24 de Abril, acontece um ensaio aberto. Ensaio mesmo: o espetáculo não está concluído, e o ensaio hoje foi longo e exaustivo. Ninguém fez corpo mole. Houveram caras feias, piadas, acidentes em cena, tratamentos de choque,... ufa!

Paramos depois das dez da noite. Cronometrei uma hora e vinte de espetáculo, mas pensei que havia sido menos: terror, humor, romance e aventura tão bem mesclados que não nos deixam dormir e nos fazem perder a noção do tempo. O espetáculo está ficando bom, graças a Deus!

Por fim e, no entanto, temos muito ainda que melhorar, na verdade. A dedicação de Marcos me causa admiração – depois que a esposa ligou, foi embora. Já em casa, liga duas vezes: uma para dar mais orientações a Michelle Dias, cuja atuação ele quer que melhore. Outra, para saber sobre a fonte utilizada no logo do espetáculo – ou seja: foi para casa e dedicou-se à produção do espetáculo.

Todos estão empenhados de corpo e alma, prezado público. Estamos longe da perfeição, além dos olhos do público, mas muito próximos da Arte.

Sejam bem vindos ao nosso ensaio aberto – e deixem algo de bom assim que saírem.